O gestor da Intranet Social e seus papéis

por Leonardo Bragança

Li recentemente um bom artigo do consultor Paulo Roberto Floriano, do TerraForum, sobre o perfil do gestor de intranet e as questões específicas de quem ocupa essa posição (link no fim deste post). Algo que merece e precisa ser bastante discutido. Por isso, quero ampliar o assunto para o conceito de intranet aplicado às redes sociais: qual o perfil do gestor de uma Intranet Social?

Ouso a sintetizar todo o perfil, competência e qualquer termo de RH que lhe vier à cabeça em apenas uma palavra: desprendimento. Em uma plataforma onde o usuário é quem produz, colabora, informa, solicita e fomenta, essa palavra “gestão” torna-se até um pouco arrogante. Mas não vamos reinventar a roda.

A única questão é que o gestor, o administrador da Intranet Social deve entender é que ninguém mais é “dono” do processo. Existe sim um ponto de partida, um lugar onde decisões são tomadas, onde comentários serão moderados etc. Mas, sem que exista um dominante.

Estive ano passado em uma palestra sobre Web 2.0, onde fiquei bastante espantado com uma jornalista, pessoa totalmente “1.0”, que estava ali virtualmente disposta a se dobrar ao que ela considerava “nova comunicação”. Ela interrompeu o palestrante e perguntou: “Como posso manipular pessoas nas redes sociais?”.

Este é o problema. Desculpe: os problemas “nova comunicação” e “manipulação”. Não existe “nova comunicação”. As ferramentas são novas? Tudo bem. Mas sempre foi possível criar ferramentas novas. “Quem não tem papel, dá o recado pelo muro”. Raul Seixas escreveu isso em 1975. Era questão de tempo, desenvolvimento da tecnologia e adaptação dela às necessidades humanas para que a comunicação melhorasse, mas nada de novo na comunicação em si. O que não existe mais é emissor e receptor definidos. Qualquer um pode assumir esses papeis em qualquer momento do discurso.

E sobre a manipulação, esse é o ponto que o gestor da Intranet Social nas corporações precisa ter ciência: não existe. É possível monitorar, corrigir, discutir, alimentar debates, usar métricas e outras ferramentas de análise. Mas manipular, nunca. Os principais papeis do gestor da Intranet Social são o incentivo aos usuários para que utilizem cada vez mais as ferramentas do site e a atenção a melhorias.

Quando falei anteriormente em não querer reinventar a roda, falava no seguinte: acredito muito mais na palavra “promotor” do que em “gestor”. Mas não vamos ficar aqui nos prendendo a termos. O que interessa é de que forma o gestor vai agir. Portanto, a sugestão é que o conceito de Intranet Social seja aplicado com o entendimento de que esse gestor não é um controlador, um dono ou um manipulador de pessoas. Será sim um líder, um promotor das discussões pertinentes ao cotidiano da empresa, medindo audiências, verificando falhas e analisando a melhor forma pela qual o processo será renovado, sempre com foco no verdadeiro gestor da Intranet Social: o usuário.

Leia o post sobre o perfil do gestor de intranet, citado acima.

Leonardo Bragança é consultor de comunicação e gestão de conteúdo para intranets, portais e blogs corporativos. Escreveu este texto a convite do Intranet social.

A lógica da Intranet Social

por Leonardo Bragança

O conceito de Intranet Social não é uma simples invenção ou um experimento. É consequência de um momento de ruptura, de transgressão nas relações sociais. E é apenas por isso que esse conceito pode, com segurança, considerar-se sustentável. Sem chance de participar de modismos.

Acompanho projetos de intranet desde o início dos anos 2000. A “lógica” do processo mudou muito nesses anos todos.  De forma bastante resumida, já tivemos a fase do “site interno com apresentação de todas as áreas da empresa”, a fase do “repositório de arquivos digitais” e a fase do “portal de serviços internos”, ainda existente na maioria das empresas.

Qual a semelhança entre essas três “lógicas” da intranet – em especial as duas primeiras? É exatamente o que fez a intranet ser algo tão sem sal e desprezado pelo público interno das empresas por anos e anos: a falta de lógica. Sim, a lógica era a falta dela mesma. O modelo era lançado, copiado por mais e mais empresas, melhorado aqui e ali, e daí sim – finalmente – ia surgindo alguma lógica.

Na fase “portal de serviços internos” isso foi mudando. O processo já nascia com alguma lógica, mas ainda esperando por ela. Com customização, entendendo a cultura da empresa, com interação do usuário. A ferramenta tomava o lugar de ferramenta. O usuário começava a ser a pessoa mais importante do processo. Sem ele, a intranet nunca teria feito sentido, mas nunca se pensou nisso.

A Intranet Social já conhece a nova lógica das relações humanas. Não tenta criar uma. A Intranet Social nasce em um mundo que está reinventando a forma de se comunicar, ler, se informar, selecionar seus formadores de opinião, compartilhar conhecimento etc. Tudo é feito pelas pessoas e para as pessoas. Em uma comunicação onde os papeis de emissor e receptor se confundem; o que é muito bom.

O espaço virtual livre para discussão em fóruns, ferramentas de produtividade, compartilhamento de informações, interação entre o público interno e outros serviços customizáveis, dão o tom de uma intranet que tem o propósito de ser social, lógica, que gere valor ao usuário e também à empresa. E o ROI (return on investment) em um projeto deste nível é quantitativo e qualitativo, pois tratamos de tempo, produtividade, otimização e inteligência. O “algoritmo” da Intranet Social dá conta de tudo isso.

Leia “O Valor da Nova Lógica”, post de Carlos Nepomuceno.

Leonardo Bragança é consultor de comunicação e gestão de conteúdo para intranets, portais e blogs corporativos. Escreveu este texto a convite do Intranet social.

A empresa é a soma de seu público interno…

… assim como a sociedade é a soma de seu povo.

As melhores empresas para se trabalhar são aquelas que aproveitam a paixão, a experiência e os conhecimentos de seu público interno. Em uma intranet, tudo é uma questão de trabalho em grupo, colaboração e troca de conhecimento.
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O que é Intranet Social?

por Leonardo Bragança

Por que o nome Intranet Social? O adjetivo “social”, segundo o Houaiss*, significa algo “(1) concernente a uma comunidade, a uma sociedade humana, ao relacionamento entre indivíduos etc.”; também “(7) que vive em sociedades organizadas, formadas por indivíduos especializados em determinadas funções”. Como substantivo, ainda pode significar: “(8) o que pertence a todos; público, coletivo”.

Com isso, entendemos que a intranet – site destinado ao público interno de uma organização – ganha status de comunidade virtual ao se adaptar ao conceito de Intranet Social. Vamos explicar nos próximos textos neste blog, que a Intranet Social nasce dentro de uma nova lógica da comunicação: a que não tem mais emissor e receptor definidos. Você é o produtor e o consumidor da informação a partir de agora.

Antes, a ferramenta era quem mandava. E isso fez com que a internet, a intranet e a extranet nunca tivessem inteligência. Quando o usuário passou a ter responsabilidade sobre o processo, a coisa mudou. As ferramentas passaram a ter uma lógica verdadeira. Passaram a ter utilidade, fazer mais pelo dia a dia do colaborador, do franqueado, de todos que compõem o público interno de uma organização. E esse conjunto de ferramentas, produzidas, comentadas e retroalimentadas pelo próprio público interno formam a Intranet Social.

Vamos dividir a Intranet Social em dois grandes grupos de ferramentas, apenas para entender como ela pode fazer mais pelo usuário:

- Ferramentas de comunicação: Seriam variações ou mesmo a própria integração com redes sociais como Twitter, Facebook, Orkut, Videolog, YouTube, LinkedIn etc. Existe uma infinidade de tipos de redes sociais, com focos bastante particulares. Essas redes podem (e devem) ser desenvolvidas internamente, funcionando da mesma forma que a rede social tradicional, para que o usuário possa já estar familiarizado com a navegação, mudando apenas o nome da rede e as adequações de identidade visual da página, voltadas à da empresa; e

- Ferramentas de produtividade:
Componentes na intranet que colaborem com o dia a dia do público interno, especialmente em processos que envolvam outras pessoas e áreas, adiante processos burocráticos e que principalmente consigam economizar nosso tempo e, em tempos socialmente responsáveis, energia e insumos, como papel e tinta de impressão. Alguns exemplos: Marcação de salas e auditórios dentro da empresa, abertura de ordem de serviço de manutenção da área de TI, solicitação de serviços de courier interno e almoxarifado, inscrição em processos de recrutamento interno de RH, solicitações ao departamento de pessoal etc.

As ações de marketing interno (ou endomarketing) também têm espaço na Intranet Social, com hotsites dessas campanhas, em especial com chamadas na home em destaque ou em banners especiais. Cada empresa define a melhor forma de divulgação. Não há um padrão. Aliás, uma boa dica ao profissional que quer construir sua Intranet Social é não seguir padrões. É preciso seguir a cultura da empresa. A intranet já pecou muito por anos e anos por tentar imprimir uma lógica. Só agora ela faz sentido, só agora ela tomou uma forma e virou a menina dos olhos dos CEOs e alta diretoria das empresas. Porque agora ela funciona pela lógica da nova forma de se comunicar, que o ser humano busca cada vez mais.

Deixe aqui nos comentários o que você entende por Intranet Social. Vamos ampliar o debate. Você deve ter percebido que em momento nenhum eu criei uma frase em que faço você decorar uma determinação do que é a Intranet Social. Afinal, seria uma mentira minha. Isso não existe. Ela é um conjunto de opiniões. Aguardo a sua. Abraços.

*Dicionário Houaiss versão eletrônica 3.0 – Junho de 2009 – Instituto Antônio Houaiss / Ed. Objetiva

Leonardo Bragança é consultor de comunicação e gestão de conteúdo para intranets, portais e blogs corporativos. Escreveu este texto a convite do Intranet social.

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